Qual será o impacto da reforma trabalhista na economia do país?

A reforma trabalhista propõe mudanças significativas na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e acontece em um dos momentos mais críticos da economia brasileira, em um cenário de aumento do desemprego e de grave crise fiscal.

De acordo com o Governo, o objetivo da reforma é justamente combater o desemprego e a crise econômica, tornando o Brasil um país mais competitivo. A proposta, além de resgatar a competitividade da economia, é flexibilizar a capacidade das empresas em terem iniciativas, reduzir o custo do trabalho, recuperar empregos, trazer equilíbrio fiscal e modernizar a legislação trabalhista.

A iniciativa impacta em questões ligadas à remuneração, jornada de trabalho, contratação, negociações coletivas, condições de emprego, direito de greve e organização sindical.

Mudanças nas regras do trabalho em tempo parcial, redefinição do emprego temporário e negociações coletivas para férias anuais, participação nos lucros, jornada de trabalho, intervalo intrajornada, regulamento empresarial, plano de cargos e salários, trabalho remoto, banco de horas, registro de jornada e remuneração por produtividade estão entre as alterações mais significativas.

Uma das mais polêmicas mudanças, com relação ao direito à terceirização do trabalho, impactará diretamente os trabalhadores e a representação sindical. Além da redução de custos, a proposta é que ela traga flexibilidade, agilidade e competitividade à empresa.

Já com relação à intervenção sindical, seu objetivo é incentivar o diálogo e compartilhar soluções, resolver rapidamente os conflitos, garantir a negociação coletiva para todos os níveis da empresa, proporcionar a segurança jurídica para empregadores e funcionários, harmonizar e complementar o negociado e o legislado, consolidar mudanças de processos de caráter voluntário e instigar a adesão de todas as partes.

Essa reforma está em concordância com as que têm sido implantadas em diversos países que passaram por situações de crise e que tiveram como resultado o aumento da competitividade econômica e também da geração de empregos.

Resultados publicados pela Organização Internacional do trabalho, a OIT, com relação às reformas de trabalho feitas em 110 países, entre 2008 e 2014, mostram que a maioria delas foi definitiva, reduziu a proteção ao emprego e produziu mudanças de longo prazo nas leis relacionadas ao mercado de trabalho.

 

Rodrigo Terpins reporta sobre o futuro do relacionamentos entre as marcas e os clientes

Nos dias de hoje, a experiência de compra dos consumidores tem sido um tema cada vez mais explorado e debatido. Como exemplo disso, em setembro aconteceu em São Paulo a 4ª edição do Customer Experience Summit, que é o principal evento do país em termos de experiência do cliente. O evento, que foi organizado pela Track Sale, uma startup que atua em Belo Horizonte, contou com a participação de mais de 800 empresários e outros profissionais do ramo, que debateram sobre novas ferramentas e técnicas capazes de melhorar a fidelidade dos clientes às marcas, reporta o também empresário Rodrigo Terpins.

A escolhida para abrir essa edição do Customer Experience Summit foi Luiza Trajano, a presidente do conselho administrativo do Magazine Luiza. Durante a sua palestra, Luiza destacou que quem trabalha com vendas precisa gostar de pessoas, tendo em vista que o cliente é o motivo pelo qual as empresas existem.

Um consenso entre todos os palestrantes do evento foi a constatação de que uma marca de sucesso precisa ser capaz de satisfazer os seus clientes e oferecer uma experiência de compra satisfatória, informa Rodrigo Terpins. Especialmente na atualidade, com o uso constante das redes sociais, as marcas necessitam se dedicar cada vez mais para que seus clientes tenham experiências positivas com a empresa.

A eficácia das ferramentas tecnológicas também foi um tema discutido nessa edição do Customer Experience Summit, pois sem que isso aconteça, a experiência dos clientes acaba sendo comprometida. No caso de uma compra online, por exemplo, o consumidor espera que todo esse processo aconteça sem nenhum problema ou atraso. Todavia, para que tudo dê certo, existem muitos profissionais e inteligência artificial envolvidos, o que aumenta os riscos de ocorrerem falhas.

Porém, essas falhas devem ser evitadas a todo custo, pois ao terem experiências negativas, os consumidores compartilham em suas redes sociais e em sites de reclamação online que prejudicam a reputação da marca, noticia Rodrigo Terpins.

Acerca do futuro do consumo, Tomás Duarte, que é o CEO da Track Sale, destacou que até o ano de 2030, os smartphones provavelmente terão uma capacidade de processamento mais avançada e moderna do que os computadores. As startups, por sua vez, devem entrar em mercados que nos dias de hoje permanecem explorados somente por grandes multinacionais. E mesmo com todo o avanço tecnológico, a satisfação dos clientes continuará sendo uma prioridade absoluta.

Os empresários ainda debateram se a tecnologia tem reduzido o contato humano. Sobre essa questão, Claudia Vale, sócia-diretora da Flwow, destacou que a tecnologia não é responsável por eliminar o contato humano, podendo fazer inclusive o contrário quando utilizada corretamente, reporta o empresário Rodrigo Terpins.

O uso correto da tecnologia pelas empresas será importante para que, nos próximos anos, as marcas formem vínculos com os seus consumidores. Um exemplo disso que está em fase de aprimoramento é a leitura facial, uma ferramenta que no futuro deverá ser utilizada pelas empresas para compreender melhor o humor dos seus clientes e criar soluções satisfatórias e personalizadas para eles, informa Rodrigo Terpins.

Ranking sobre ambiente de negócios deixa Brasil em 125º lugar

Os países parceiros do Brics, como Rússia, Índia, China e África do Sul, sócios do país no Mercosul, estão na frente no ranking do Doing Business, um relatório anual que mede o impacto de burocracia e regulações do funcionamento das empresas.

O número de gastos na abertura de firmas está entre os itens listados, e também o pagamento de imposto, autorização de construção, conexão com a rede elétrica e o registro de uma propriedade. Outros fatores analisados são o comércio exterior, a obtenção de crédito, resolução de falências e concordatas e as implementações de contratos.

O Brasil está em uma posição historicamente baixa devido a burocracia e lentidão na aprovação de reformas microeconômicas, ficando atrás de países como Albânia, Botswana, Marrocos, Nepal e Namíbia. A má avaliação vem devido ao sistema federativo e o capitalismo de compadrio, segundo Otaviano Canuto, economista representante do Banco Mundial no Brasil, que em entrevista em Washington, disse que o país cria dificuldades para colher facilidades. Otávio diz que o comércio exterior levou a melhora da nota do Brasil, de 56,07 para 56,45, uma alta de 0,38, um número abaixo do avanço de 0,76 considerado médio no ranking.

Os primeiros 5 lugares ficaram com a Nova Zelândia, seguida de Cingapura, Dinamarca, Coreia e Hong Kong.

Algumas mudanças de aperfeiçoamento nos negócios, afirmou Canuto, ainda não mostraram reflexos no ranking, por terem sido aderidas no final do período da pesquisa. A redução no número de dias para a abertura de empresa em São Paulo, Rio de Janeiro foi mencionada assim como a obtenção das licenças para as construções no estado do Rio de Janeiro.

O impacto das reformas macroeconômicas não captadas pelo estudo, também foram citadas pelo economista que tem foco do cotidiano das empresas, e nem a reforma trabalhista podem influenciar esse ranking. “O Doing Business pega apenas um pedaço do clima de investimentos maior. A estabilidade macroeconômica também é importante e está fora do levantamento”.

Os especialistas analisaram e classificaram 127 países para realização da pesquisa, baseados em 81 indicadores de investimentos e desenvolvimento na pesquisa de infraestrutura, capital humano, tecnologia de informação, educação, economia, política e ambiente de negócios.